Things I love

Love in times of War: My grandparents’ story

A few days ago, here in the blog, we celebrated living in a country with peace. Today we talk about love in Times of War. For the majority of you reading us I can only hope that, like me, you have never gone through one.

Two years ago I spent Christmas in Angola, where my parents were born, from where they moved out at the age of 13/14 and where they moved back to 6 years ago.

We were sitting at the dinner table and somehow started talking about the war times in Angola and how our family handled it.

My Grandmother told us the entire story. Most of it we already knew. The part that got us in radio silence mode, though, was when she explained how she and my dad and uncles got into a boat to get to Luanda and then fly to Portugal.

My grandfather took them to the port. The day before he told her: “take what is absolutely necessary” (how can you even think about that?) He wouldn’t come with them. That much she knew. He had no idea how to find them after in Portugal. Actually, he had no idea if he would even make it. No one knew.
They all hugged and said goodbye. Mostly as if they’d meet again soon but knowing that was unlikely.

My Grandparents, who had never been separated before had to do this for survival. My Grandfather had to send away what was the most precious to him, to another country, to uncertainty.

Living and loving in times of war is a reality so completely distant to most of us that the only way for us to think about it is through a Hollywood filter. However, and when thinking about their story, which is also mine, I wonder how did they manage to make love survive?  How they pushed through and kept on believing in spite of everything. How nowadays we give up on a peanut-worth-fight and so many couples faced a war together, times apart, no cellphones, no email, just hope that they would meet again and pick up from where they left.

They met a few years later.
My Grandfather managed to find his way to Portugal and looked for them everywhere, in every “place” where these war refugees were sent to. When he found them he brought something to my grandmother: her wedding dress. She’d left it behind but he held on to it.

Featured image: Kiss the War Goodbye

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Há alguns dias atrás, celebrámos aqui no blog a possibilidade de vivermos num país em paz. Hoje falamos de Amor em Tempos de Guerra. Para a maioria de vocês que nos lê, só posso esperar que, tal como eu, nunca tenham vivido num país em guerra.

Há dois anos atrás fui passar o Natal com os meus pais a Angola, o país onde nasceram, de onde sairam com 13/14 anos, e para onde voltaram há 6 anos atrás.

Estavamos sentados à mesa de jantar e sem saber bem como começámos a falar do tempo da guerra e de como acabaram por sair do pais à procura de uma vida melhor. A minha Avó contou-nos a história toda. A maioria já conhecíamos e tinhamos ouvido ao longo da nossa infância. Mas a parte que nos deixou num silêncio quase reverente, foi quando nos contou como se meteram num barco para Luanda e de lá num avião para Portugal.

Quando a situação se tornou praticamente insuportável, o meu Avô levou-os ao porto. No dia anterior, tinha dito à minha Avó “leva só aquilo que for absolutamente necessário”. Ele não iria com eles. Isso ela sabia. Ele não tinha qualquer ideia de como e quando os reencontraria. Aliás, ele não tinha sequer ideia se conseguiria sair daquele caos e chegar até eles. Ninguém tinha.

Os meus Avós, que desde o dia de casamento nunca se tinham separado e tinham andado de um lado para o outro com os 3 filhos (o meu pai é o do meio), estavam a fazê-lo agora por uma questão de sobrevivência. O meu Avô estava a enviar para o desconhecido aquilo que lhe era mais valiososo.

Viver e amar em tempos de guerra é uma realidade tão distante de mim, da maioria de nós, que a única forma de a entendermos é romantizá-la ao estilo de Hollywood. Mas ao ouvir a minha avó contar a história, e cada palavra tocar o meu coração pela sua dose de realidade, ali na cidade de onde partiram à procura de vida, de sobrevivência, fez-me pensar em como se sobrevive, o amor, a esperança, o casamento? Hoje em dia atiramos tudo ao ar por uma qualquer discussão. Este casal, como tantos, tantos outros, tinha uma guerra entre eles. Sem telemóvel, sem email, sem instagram. Só a esperança do reencontro, do recomeço.

Eles encontraram-se alguns anos mais tarde.

O meu Avô consegui vir para Portugal e procurou por eles em todo o lado, em todas as zonas por onde tinham sido distribuidos refugiados. E encontrou-os. E trazia um presente para a minha Avó: o vestido de noiva dela. Tinha-o deixado ficar, e o meu Avô agarrou-se a ele como promessa de reencontro.


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